Econômicas: O Rio Grande do Sul, estava esgotado pela seqüência de guerras, a última das quais tinha sido a campanha da Cisplatina, com as estâncias e charqueadas produzindo pouco, com os rebanhos esgotados e sem que o império brasileiro pagasse as indenizações de guerra. Os impostos sobre o gado e sobre a arroba de charque - principais produtos da Província - eram escorchantes. Todos os produtos da pecuária pagavam dízimo. O pior, porém é que o centro do Brasil preferia comprar o charque platino ao invés do rio-grandense que era produzido pelo braço escravo das charqueadas. E, portanto, caro. O charque uruguaio ou argentino, era vendido no Rio de Janeiro e São Paulo bem mais barato que o charque rio-grandense.
Não se deve nessa época falar em contrabando, porque a fronteira sul do Rio Grande era indefinida. Até bem pouco a Cisplatina era província do império e muitos estancieiros brasileiros ou orientais tinham campos no Uruguai e também no Rio Grande e mesmo tarde delimitadas, sendo impossível dizer onde terminava o Brasil e onde começava a República Oriental do Uruguai - em organização.
Sociais: O Rio Grande do Sul tinha 14 municípios e cidades com suas vilas respectivas, uma população de aproximadamente 150 mil pessoas entre brancos, escravos e índios. Não havia uma escola pública, uma ponte construída ou uma estrada em boas condições. Apesar do seu continuado sacrifício nas guerras de fronteiras e apesar da riqueza que o café acumulava na Corte, apesar da sangria na sua população masculina dizimada pelas guerras, apesar do luto constante das mulheres gaúchas, o Rio Grande do Sul não merecia qualquer atenção ou reconhecimento por parte do império. O descontentamento era geral.
Políticas: O movimento farroupilha foi um dos muitos movimentos liberais que sacudiram a Regência na 1ª metade do século XIX, e alcançou de fato ser a primeira experiência republicana em território do Brasil.
Exaltados pela independência, os brasileiros se dividiam entre Liberais e Conservadores, havendo nas duas grandes facções subfacções de orientação diversa. Os liberais não apenas no Rio Grande do Sul eram chamados "farroupilhas", palavra do português castiço para designar esfarrapados. No Rio Grande do Sul os gaúchos abrasileiraram o termo, usando mais freqüentemente a expressão "farrapos".
Na efervescência política da Independência os rio-grandenses efetivamente - pelo menos os líderes liberais - não viam com maus olhos a organização do Uruguai como um Estado independente e soberano entre Argentina e Brasil.
As causas políticas que levaram à revolução foram muitas, sobretudo graças a inabilidade do presidente da Província, Dr. Antônio Rodrigues Fernandes Braga, primeiro rio-grandense a ocupar tão alto posto. Fernandes Braga denunciou Bento Gonçalves da Silva como conspirador e a recém empossada Assembléia Provincial (20 de Abril de 1835), substituta do antigo Conselho Geral da Província e onde o Partido Liberal tinha maioria, exigiu que o presidente Fernandes Braga apresentasse provas e este, em sessão secreta não pode fazê-lo. Bento Gonçalves consolidava assim sua posição de líder liberal.
Militares: a autoridade militar maior da província era o Comandante das Armas, Mal.Sebastião Barreto Pinto, conservador ferrenho e feroz inimigo de Bento Gonçalves, que fora comandante de fronteira em Jaguarão.
Bento Gonçalves da Silva não era oficial do Exército, mas guerrilheiro das milícias e depois da Guarda Nacional, forjado e experimentado no campo de batalha, comandante de gaúchos que apenas se fardavam - quando recebiam farda - nos períodos de guerra. Sua brilhante carreira de armas desde soldado raso até coronel da Guarda Nacional era causa do ciúme do velho marechal do exército brasileiro. Que não era bem visto pelos grandes do Império prova o fato de que recebeu quatro condecorações por seu feitos militares mas nunca recebeu terras nem título de nobreza.
Em 1840, por ocasião da maioridade de Dom Pedro II, foi oferecida uma anistia, recusada pela maioria dos rebeldes. Alguns, contudo, exaustos pelos anos de luta, começaram a compreender que não poderiam alcançar a vitória. Em 1842 foi finalmente promulgada a Constituição da República, o que deu um ânimo momentâneo à luta. Nesse mesmo ano, entretanto, foi nomeado para presidente do Rio Grande do Sul o experimentado general Luís Alves de Lima e Silva, então Barão de Caxias, o qual tratou de negociar a paz por via diplomática mais do que pela bélica.
Os farroupilhas entraram em discordância, com episódios como a morte de Antônio Vicente da Fontoura e o duelo entre Onofre Pires (ferido e depois morto) e Bento Gonçalves da Silva.
As negociações de paz foram conduzidas por Lima e Silva, de um lado, e David Canabarro (que representou Bento Gonçalves da Silva), do outro. No dia 28 de Fevereiro de 1845 (algumas fontes referem 1 de Março ou 25 de Fevereiro), depois de 10 anos de lutas, foi assinada a paz em Ponche Verde, que tinha como condições principais:
· a anistia aos revoltosos;
· os soldados rebeldes seriam incorporados ao exército imperial, nos mesmos postos (excetuando-se os generais);
· a escolha do presidente da Província caberia aos farroupilhas;
· as dívidas da República Rio-Grandense seriam assumidas pelo Império do Brasil;
· haveria uma taxa de 25% sobre o charque importado.
Obs.: Há contradições quanto a validade do Tratado de Ponche Verde.

A atuação de Lima e Silva foi tão nobre e decente para com os rebeldes que os rio-grandense o escolheram para presidente da província. O Império, reconhecido, outorgou ao general o título nobiliárquico de Conde de Caxias (1845).
Pós Guerra
Por dez anos, a guerra civil prejudicou o setor pecuarista. As perdas foram muito maiores do que os lucros políticos e econômicos do movimento. Os pecuaristas saíram mais endividados junto aos comerciantes e banqueiros. Propriedades rurais, gado e escravos foram perdidos e tornou-se muito difícil repô-los posteriormente.
A paz honrosa de Poncho Verde, em 1845, acomodou as crescentes dificuldades dos farrapos, pois não interessava ao governo monárquico reprimir uma elite econômica. Aos oficiais do Exército farroupilha foram oferecidas possibilidades de se incorporarem aos quadros do Exército nacional. Líderes presos foram libertados e a anistia foi geral e imediata.
Antes e depois da Guerra dos Farrapos, os rio-grandenses lutaram contra os platinos, defendendo militarmente os interesses da coroa portuguesa e, a partir de 7 de setembro de 1822, os da corte brasileira, ou seja, interessava ao governo do Rio de Janeiro assinar o acordo de Poncho Verde porque a política externa brasileira ainda necessitaria dos serviços militares (sempre disponíveis) da Guarda Nacional formada por estancieiros e peões rio-grandenses.
Quanto à política tarifária, medidas sem expressividade e pouco duradouras tentaram transparecer um melhor tratamento dado ao produto nacional. A estrutura produtiva ultrapassada (baseada na escravidão) não foi alvo de preocupações.
A sensação que existe hoje, passado um século e meio, é a de que as motivações daquele movimento não foram superadas. Por um lado, o Rio Grande do Sul continua em situação de mando político dependente, com uma economia pouco beneficiada no processo de acumulação capitalista que se reproduz no Brasil. Por outro, o Rio Grande do Sul não consegue "enxergar o próprio umbigo" e compreender que suas dificuldades resultam da forma como tem sido realizada sua inserção como sócio menor no sistema capitalista brasileiro. Expressando-se de forma figurativa, o Rio Grande do Sul continua produzindo e vendendo charque, subsidiando (periféricamente) o funcionamento do mercado exportador brasileiro e sem cacife no processo político-decisório nacional.
Webliografia:
Capturado do site: www.wikipedia.com.br/revolucaofarrouoilha
http://www.resenet.com.br/causas_rev.htm
Comments (6)
Anonymous said
at 10:23 pm on Apr 26, 2007
Olá meninas! Estivemos visitando a página do grupo e relizamos algumas observações: é importante realizar a pesquisa colocando nela as reflexões e conclusões do grupo. É importante registrar a fonte de consulta, além disso, reler o texto "Novas formas de aprender, novas formas de avaliar", de Italo Modesto Dutra o qual fala sobre as construções de Mapas Conceituais. Após, analisem a 2ª versão do Mapa, verefiquem a possibilidade de reelaborá-lo, publicando a 3ª versão. Vera e Neemi
Anonymous said
at 10:31 pm on Apr 26, 2007
Sugerimos realizar o link do texto final no side bar, ainda, revisando e complementando a pesquisa, bem como, enriquecer o texto conclusivo. Vera e Noemi
Anonymous said
at 4:46 pm on May 1, 2007
Dêem uma lida em todo o trabalho para verificar se todas as perguntas iniciais foram repondidas. Argumentar mais o texto final. Profª Neiva
Anonymous said
at 6:31 pm on May 6, 2007
OLÁ! Estive relendo o trabalho do grupo e senti que foram poucas as interferências do grupo, podendo haver maiores colocações do grupo, vido a enriquecer a pesquisa. O texto final, poderia contemplar a explicação do mapa conceitual. Ok? Abraços Vera
Anonymous said
at 11:34 am on May 9, 2007
Meninas! Esta é a primeira experiência de vocês nessa metodologia de trabalho, por essa razão, sempre temos o que aprender. Parabéns pelo esforço e interesse na busca das soluções pelo desconhecido. Um abração Vera
Anonymous said
at 11:35 am on May 9, 2007
Acrescentando... O grupo conseguiu sistematizar com clareza a pesquisa realizada. Vera
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